quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Agradecimentos, CCXP e Muito mais

No dia 04 de novembro, um ano atrás, um monte de pessoas bacanas me ajudou a tornar o sonho de ver Dandelion impresso e agradeço imensamente. 
Foi o pontapé para várias outras coisas boas que aconteceram depois.
Vim não apenas agradecer, mas também fazer alguns convites para vocês.
Estarei na CCXP – Comicon Experience em São Paulo, no Artist’s Alley, nos dias 01 a 04/12. Quem quiser passar para deixar um alô, a minha mesa é a D27.
http://www.ccxp.com.br/experiencias/artists-alley/...


Também estou com uma página no Facebook, chamada Marca Rubra para divulgar meu trabalho.
Além disso, para quem ainda não viu, alguns quadrinhos meus estão disponíveis no Social Comics:
Um casal aprende que rótulos são coisas pequenas diante do amor.
Parte da Coletânea Que Diferença Faz?
A campanha contemplará as discriminações em todas as suas formas, com maior ênfase para aquelas baseadas em raça e etnia, gênero e orientação sexual, situação socioeconômica, crença religiosa e deficiências físicas ou psicológicas. Estão previstas atividades educativas presenciais e ações em redes sociais e mídia.(Fonte: www.mpmg.mp.br)
Raimundo acreditava que Julia era o grande amor de sua vida, mas ela o  abandonou ao se apaixonar por Armando. Mas Raimundo não vai desistir de Julia. Ele fará TUDO para tê-la de volta. Até recorrer ao sobrenatural.
Roteiro: Carol Cunha/ Desenho: Lucas Arts/ Cores: Leo Romão/ Letras: Vitor Carvalho
História de Amor:
Uma história singela sobre barreiras e encontros. Um casal vai se encontrar pessoalmente pela primeira vez, e junto com eles vão todas as expectativas e receios para que a noite seja perfeita.
Roteiro e Cores: Carol Cunha/ Desenho e Arte Final: Adriano Gomes
Novamente agradeço a todos pelo apoio. Sem vocês nada disso seria possível!​

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Oficina Gratuita Criação de personagens para narrativa visual


No dia 08 de outubro, estarei ministrando oficina gratuita no Circuito das letras.

DIA 08 DE OUTUBRO, SÁBADO

14h - Criação de personagens para narrativa visual

Local: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Sala de Cursos do Anexo Prof. Francisco Iglésias)

A criação de personagens é parte importante do desenvolvimento de um projeto. Seja
para quadrinhos, animação, live action, games ou ilustração. Com o apoio da Casa dos Quadrinhos, a proposta dessa oficina é nos debruçarmos em aspectos que podem tornar um personagem mais interessante visual e psicologicamente, através de exercícios como criação de fichas dos personagens; estudos de concepts; expressões faciais e corporais.

Vagas: 20
Informações e inscrições: 3269-1232




Carol Cunha  - É ilustradora, quadrinista e animadora. Formada em Cinema de Animação pela UFMG em 2015, onde realizou o curta Romance Zumbi. É professora de Roteiro, Narrativa e História em Quadrinhos na Escola Técnica de Artes Visuais Casa dos Quadrinhos. Já colaborou para sites de quadrinhos e cinema como Terra Zero, Cinema em Cena e Lady’s Comics. Alguns dos seus quadrinhos autorais publicados são História de Amor (2013), Dandelion (2015) e a história Valenti@ para a Coletânea da Campanha "Que Diferença faz" (2015).

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Morte - A Festa

Nos idos dos anos 80, três escritores praticamente revolucionaram as histórias dos quadrinhos comerciais americanos: o americano Frank Miller e os ingleses Alan Moore e Neil Gaiman. O primeiro, em seu trabalhos para a Marvel com o Demolidor e para a DC com o Batman, mostrou que quadrinhos de super-heróis podem ser sombrios, instigantes, polêmicos e inteligentes, indo muito além do típico conflito entre mocinhos e bandidos. Moore escreveu obras marcantes como V de Vingança, Miracleman, e talvez a melhor obra jamais escrita nos quadrinhos, Watchmen, que tinha como premissa básica a idéia de como seria o mundo real se os heróis realmente existissem. Mas foi com o Monstro do Pântano (para a DC Comics) que ele revitalizou o gênero do terror, criou uma das mais carismáticas personagens dos quadrinhos, John Constantine, e plantou as sementes para a linha de quadrinhos de adultos da DC. 

De igual importância neste aspecto, está o trabalho de Neil Gaiman e seu Sandman. Graças a Moore e Gaiman, os grandes estúdios descobriram que adultos liam quadrinhos e gostavam de temas diferenciados e densos. Sem Sandman e o Monstro do Pântano, não teríamos sido presenteados com obras fenomenais como Hellblazer (estrelado por John Constantine), Livros da Magia, Preacher (do polêmico Garth Ennis), ou mais recentemente 100 Balas, de Brian Azarello e Eduardo Risso (atualmente um dos meus desenhistas preferidos), e o premiadíssimo Fables. 

Neil Gaiman pode ser considerado um dos mais importantes escritores de fantasia da atualidade. Entretanto, ele começou sua carreira como jornalista. Um dos seus primeiros trabalhos foi Violent Cases, com um dos seus mais freqüentes parceiros de trabalho, o artista Dave Mckean. Graças a esse trabalho, ele e Mckean conseguiram uma vaga na DC e realizaram a minissérie Orquídea Negra (que está sendo relançada no Brasil), sobre uma obscura super-heroína da editora. A minissérie possibilitou que eles alcançassem vôos maiores, Gaiman passou a escrever a série mensal Sandman e McKean, além de ser o capista oficial de Sandman, também realizou o especial Asilo Arkhan, escrito por Grant Morisson e estrelado pelo Batman. 


Além de Sandman, Gaiman também é o autor de outros quadrinhos, entre eles Livros da Magia (estrelado por um jovem mago de 12 anos, dono de uma coruja e que usa óculos, muito antes de Harry Potter aparecer) e 1602. E, para completar, Gaiman já escreveu livros de contos e poesias (Fumaças e Espelhos), séries de TV (Neverwhere), romances de fantasia (Deuses Americanos e Belas Maldições), fábulas para adultos (Stardust), livros infantis (Coraline e Lobos nas Paredes) Ganhou diversos prêmios importantes, como o Eisner e o Nebula. 

Já Sandman, considerada a maior obra de Gaiman para os quadrinhos, é uma das mais fascinantes histórias já publicadas pela DC Comics, ganhando fã fervorosos e entusiasmados ao redor de todo o mundo. Alternando momentos de pura fantasia e poesia com outros de um terror indescritível, Sandman ainda tinha o acréscimo de citar diversas mitologias, clássicos da literatura (em especial Shakespeare) e do cinema, trechos de músicas.

A série conta a história de Lorde Morfeu, regente do Sonhar, e um dos sete Perpétuos. Os Perpétuos são seres que não são deuses nem humanos, nem mesmo anjos, são entidades místicas que existem desde que o primeiro ser consciente surgiu no Universo e permanecerão aqui até que o último ser consciente pereça. Mesmo que não reconheçamos, todos nós, inconscientemente, sabemos que esses irmãos existem. São eles: Destino (Destiny), Morte ou Desencarnação (Death), Sonho ou Devaneio (Dream), Destruição (Destruction), Desejo (Desire), Desespero (Despair) e Delírio (Delirium). Morfeu é um dos diversos nomes adotados pelo Sonho, assim como Sandman (Homem da Areia, mais conhecido no Brasil como João Pestana, responsável por jogar areia nos olhos das crianças para que elas durmam).
 
Na realidade, Sandman não é uma criação de Neil Gaiman, o personagem surgiu na década de 30 (a Era de Ouro dos quadrinhos) e era um detetive chamado Wesley Dodds, que usava uma arma de gás para colocar os bandidos para dormir. Outras versões de Sandman se seguiram a essa, mantendo apenas o nome em comum. Quando Neil assumiu a tarefa de relançar o título, apenas aproveitou o nome e recriou totalmente a personagem, seguindo por um caminho totalmente diferente dos seus antecessores. Atualmente, o Sandman da Era de Ouro ainda é considerado como parte da cronologia atual, mas como um herói que atuou nas décadas de 30 e 40; as versões intermediárias são quase completamente esquecidas - com exceção de Hector Hall, filho do Gavião Negro da Era de Ouro, importante dentro da saga de Morfeu, mesmo que indiretamente. 

A saga de Morfeu começa com o velho bruxo tentando capturar a Morte e por acidente capturando seu irmão mais novo. Isso aconteceu no começo do século passado. Durante anos, o Sandman esteve preso na mansão do feiticeiro, até que conseguiu se libertar. No primeiro arco de histórias, ele parte em busca de objetos mágicos que por direito lhe pertencem, e após reuni-los começa a árdua tarefa de reconstruir seu reino, que entrou em decadência durante sua ausência. Mas as coisas não param aí, aos poucos somos apresentados a importantes personagens, como os já citados irmãos de Morfeu, além de Caim e Abel, o Corvo Mathew, Eva, Titânia, Lúcifer, Shakeaspeare, Hob Glading, entre outros. Pequenos acontecimentos plantados no começo da série só mostraram sua importância muitas edições depois e fatos importantes do passado de Morfeu (como ser pai de Orfeu, aquele famoso cantor grego que desceu aos Infernos para buscar a esposa morta) são cruciais no desenrolar da história. De qualquer maneira, contar demais acabaria por estragar a graça de tudo, ainda mais que  existe série completa publicada no Brasil. 

E se não bastasse a ousadia nos textos, Gaiman ainda teve a coragem de encerrar a série no auge do sucesso, com o brilhante argumento de que uma boa história tem começo, meio e fim, e um bom escritor sabe qual a hora de parar. 

Mas milhares de fãs, não apenas de Sonho, assim como das outras minisséries estreladas pelos Perpétuos, viram-se órfãos. E para saciar sua sede de novidades e sua saudade, vários especiais estrelados pelos coadjuvantes do Sonhar (Merv Pumpkinhead e Bruxaria, por exemplo), além de séries mensais derivadas (Lúcifer e Sandman - Teatro do Mistério, estrelada por Wesley Dodds) e especiais como Sandman Dream Hunters, Noites sem Fim e Overture foram lançadas no decorrer dos anos. 

Entre elas, podemos destacar as minisséries e especiais estrelados por uma das mais carismáticas dos Irmãos Sem_Fim: Morte. 

Duas minisséries especiais foram escritas por Gaiman, ainda durante a publicação de Sandman: Morte - O Alto Custo da Vida e Morte - O Grande Momento da Vida 

Outra publicação protagonizada pela personagem e nosso foco de análise aqui é o “mangá” Morte: A Festa . Escrito e desenhado por Jill Thompson, que já trabalhou com os personagens criados por Gaiman em Sandman: Vidas Breves e nos deliciosos contos “infantis” Pequenos Perpétuos e Festa da Delirium (publicado no Brasil pela Panini), Morte: A Festa reconta os fatos apresentados originalmente na revista Sandman durante a saga Estação das Brumas, mas da perspectiva da irmã mais velha do rei dos Sonhos. 

A leitura das histórias originais não é necessária para se compreender os eventos que se passam em Morte: A Festa, uma vez que Jill Thompson recria os momentos mais importantes da saga, mas é muito interessante comparar o modo como ela se apropriou dos elementos de Gaiman para contar sua própria história. Além de ser uma grande oportunidade de se comparar as diferenças e semelhanças das estruturas narrativas dos quadrinhos americanos e dos mangás (tudo bem que é um mangá americano, mas Jill Thompson conseguiu captar o significado do que seja escrever um mangá). Um dos pontos que mais chama atenção nesse sentido são as apresentações dos Perpétuos que aparecem tanto no começo da história do mangá quanto no prelúdio da história original. Thompson consegue transformar a apresentação feita por Gaiman (que é um texto quase romântico e altamente literário) naquelas fichas técnicas de personagens típicas dos quadrinhos japoneses, e ainda assim manter a essência do texto original e das personagens. 

Em Morte: A Festa (o título original seria melhor traduzido como Morte:Às Portas da Morte), Morpheus, o Sandman, se vê em uma situação bastante complicada depois que Lúcifer resolve expulsar todos os demônios e mortos do Inferno, dando de presente a Chave do lugar para o Sonho. Enquanto nosso herói tenta descobrir o que fazer com a “mais cobiçada propriedade psíquica em toda ordem da criação”, sua irmã mais velha também está com problemas sérios, pois os mortos estão voltando. E pior, estão quase todos indo para a sua casa. Como cumprir com seus deveres usuais de ceifadora e ainda controlar um exército de zumbis destruindo seu carpete? O jeito é contar com a ajuda de suas irmãs caçulas Delirium e Desespero, que têm a brilhante ideia de fazer uma festa na casa de Desencarnação para manter os refugiados do Inferno ocupados. 

A grande sacada de Jill Thompson foi ir muito além da mera transformação das personagens originais em versão mangá: ela mergulhou de cabeça na proposta de escrever um mangá passado no universo do Sandman, adotou praticamente todos os elementos da linguagem desse estilo de quadrinhos, especialmente do shoujo (mangá para meninas). Todos aqueles divertidos exageros faciais estão lá, também temos os pequenos comentários em segundo plano sobre determinadas situações, as fichas técnicas, o personagem andrógino, o amor meio impossível e supostamente platônico, o enquadramento de páginas típico dessas revistas. É uma reconstrução perfeita feita por uma americana do que seja escrever um quadrinho japonês. 

Confesso que tinha certas dúvidas se seria possível transformar os personagens de Sandman em mangá, especialmente dado ao estilo de histórias que eles costumam estrelar. Até que ponto eles poderiam ser adaptados para aquela forma narrativa sem perder suas características essenciais? Não achava ser possível fazer isso, mas Jill Thompson provou que eu estava errada. Apesar do tom mais leve da história, os Perpétuos (mesmo Destino e Morpheus, os mais taciturnos) continuam sendo os nossos velhos conhecidos de sempre. 

Acho que o fato da Morte ser a protagonista da história contribuiu muito para isso. Além de ser uma das personagens mais populares e cativantes da série Sandman, com muitos fãs, inclusive esta que vos fala, espalhados pelo mundo, a Morte talvez seja a mais “humana” dos Perpétuos, que mesmo consciente de seus deveres consegue encarar as situações que enfrenta de forma descontraída. Esse posicionamento da personagem facilitou a passagem do clima tipicamente denso das histórias de Gaiman para o tom leve e divertido que os mangás shoujo geralmente possuem. 
Photobucket


Delirium e Desespero como coadjuvantes são um show a parte e contribuem para o tempero cômico da história. Da primeira era algo até esperado, mas realmente me surpreendi com a versão de Desespero criada por Thompson. Minha concepção sobre a Dama do Anel em forma de anzol mudou completamente. 

A festa propriamente dita é recheada de momentos hilariantes e divertidos, como os sorvetes de Delirium ou o reencontro de Romeu e Julieta, ou a mera ideia de imaginar Mussolini dançando cancan. Outros mortos famosos fazem ponta, como Kurt Cobain, e, com grande destaque, Edgar Alan Poe. 

Talvez um único momento deixe os leitores mais puristas de Sandman um pouco irritados: quando Morte, Delirium e Desespero saem para capturar os mortos desgarrados. Sailormoon demais para os mais implicantes. 

Mas, no geral, Morte: A Festa é excelente. Uma história divertida de se ler e reler (várias vezes) e que não fica em nada a dever para as demais publicações envolvendo os Perpétuos, incluído a série original.O especial deu origem a outro "mangá" baseado em personagens de Sandman: "Dead Boys Detectives", também lançado no Brasil pela Conrad. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Novamente em palpos de Aranha


Alguns anos atrás, o Homem-Aranha passou por um polêmico arco de histórias, conhecido como Saga Clone. Odiada por uns (ou muitos?) e amada por outros, essa saga trazia o retorno de um personagem antigo e supostamente morto (como se isso fosse novidade na Marvel!!!): o clone de Peter Parker, criado pelo seu antigo vilão e ex-professor, o Chacal. Mais do que isso: nela tivemos a revelação de que nosso amigo da vizinhança, Peter Parker, não era o verdadeiro Homem-Aranha, ele seria o clone, enquanto seu suposto clone, Ben Reilly, seria o Aranha. No fim das contas descobriu-se que Peter realmente era o Aranha, e que Ben era realmente o clone, e que tudo não passava de uma armação de outro supostamente morto e ressuscitado, Norman Osborn, o Duende Verde. Ben acaba morrendo e Peter volta a ser o Homem-Aranha. No meio disso tudo, temos ainda Kaine, um segundo, deformado e vingativo clone do Aranha, e a gravidez de Mary Jane, esposa de Peter. Achou confuso? Acredite, não foi só você. 

É por isso que muita gente acreditou que, após o fim dessa Saga, a Marvel iria relegá-la ao limbo de arquivos de coisas-que-pareciam-ser-legais-mas-que-deram-errado- e nunca mais tocar no assunto. Mas eis que Tom Defalco, um dos principais roteiristas da saga, resolve surpreender todo mundo e escreve uma história sobre May Parker, a filha de Peter e MJ, na revista What if # 105 (cujas histórias são conhecidas aqui no Brasil como O que teria acontecido se?). No fim da Saga Clone, May teria aparentemente morrido no parto, mas na verdade (ou não) foi capturada por Osborn, sendo depois resgatada (ou não) por Kaine. Na história publicada na What if, desenhada por Ron Frenz, temos uma May adolescente, devidamente devolvida aos seus pais por Kaine, que não sabe que é filha do Homem-Aranha, agora um herói aposentado, após perder uma perna em uma batalha com o Duende, e especialista em perícia da polícia de Nova York. May começa, então, a descobrir seus poderes e coisas sobre o passado de seu pai. Como se isso não fosse o bastante, ainda precisa enfrentar o novo Duende Verde, neto do original, para salvar sua família. 

A história foi um sucesso tão grande que a Marvel resolveu relançá-la como Spider-Girl # 0, a primeira de uma linha de revistas da Marvel, conhecida como Marvel Comics 2 ou MC2. 

Além das revistas da Spider-Girl, primeiramente a Marvel lançou outras duas publicações: A-Next, escrita por Tom Defalco e desenhada por Ron Frenz, e J2, também escrita por Defalco e desenhada por Ron Lim. A primeira contava as aventuras da nova geração de Vingadores (Avengers), formada inicialmente por Thunderstrike (Kevin Masterson, filho de Eric Masterson, o Thunderstrike ou Trovejante original), J2, Mainframe, Stinger (filha do segundo Homem-Formiga, que participava das histórias do Quarteto Fantástico escritas por Defalco), e Jubileu, Speedball e Choque como membros reserva. A segunda revista narrava as aventuras de J2 fora dos Vingadores. J2 ou Zane Yama é filho do Fanático, Juggernaut, com a promotora Sachi Yama. Depois de reformado, Cain Marko se apaixonou pela advogada, mas acabou desaparecendo ao participar de uma aventura em outra dimensão, não podendo criar o filho. Ao contrário do esquentado e brutamontes Juggernaut original, Zane é um típico nerd, que por um acaso acabou ganhando superpoderes, assim como um cabeça de teia, velho conhecido nosso. Porém, enquanto a Spider-Girl se mostrava um sucesso, nenhuma das duas outras revistas decolou e elas acabaram sendo canceladas. 

A Marvel não desistiu e resolveu lançar mais outras duas novas publicações: Fantastic Five e Wild Thing. Na primeira, tínhamos as aventuras do Fantastic Five, a versão futura do Quarteto Fantástico, formada por: Reed Richards (Big Brain - em uma forma robótica após sofrer um acidente que custou a vida de Sue), Franklin Richards (Psilord), Lyja Storm (Ms. Fantastic - a skrull que fingiu ser Alicia Masters e se casou com Johnny), Ben Grimm e Johnny Storm, que passou a liderar a equipe. A primeira aparição do grupo foi na edição número 3 da Spider-Girl. A segunda revista narrava as aventuras de Wild Thing ou Rina, filha do Wolverine e de Elektra, que já havia aparecido em uma revista do J2. Seguindo a mesma linha de Spider-Girl e J2, muitas das histórias envolviam as desventuras da nossa heroína na high school. Diferente de Zane, Rina é esquentadinha como o pai, e, como ele, possui garras, só que psiônicas, um truque que ela aprendeu com sua madrinha, Psilocke. As histórias eram escritas por Larry Hama, um velho conhecido dos leitores de Wolverine. Mas novamente as coisas não deram certo e as revistas foram canceladas. 

Depois de amargar o fracasso duas vezes, a Marvel desistiu de lançar outros títulos mensais através do MC2, concentrando-se nas revistas da Spider-Girl, e lançando uma ou outra minissérie de heróis extraídos do título, como a minissérie do DarkDevil e a do The Buzz. 

As revistas Spider-Girl eram escritas por Tom Defalco e originalmente desenhadas por Pat Olliffe, e tinham um clima bastante parecido com as das antigas histórias do Aranha dos anos 70, embora sem aquele conteúdo político que Stan Lee gostava de jogar em algumas histórias. Os desenhos de Olliffe, conhecido por aqui através de seu trabalho em Untold Tales of Spiderman ou Arquivos Secretos do Homem-Aranha, do Kurt Busiek, ajudaram bastante a criar esse clima nostálgico no começo da publicação. 

Enquanto as antigas histórias do Aranha citadas se passavam na faculdade, as da sua filha se passam no colegial, mas de certa forma todos os personagens estão lá: as versões masculinas de Gwen Stacy e Mary Jane, em, respectivamente, Brad Miller e Jack Jamenson (neto de J. Jonah Jamenson); a versão masculina de Flash Thompson, Heather Noble, e de Harry Osborn, Davida, a melhor amiga de May, além de outras personagens que lembram muito os amigos de Peter das histórias de Untold Tales, como Courtney Duran, Moose ou Jimmy Yama (primo de Zane, o J2). 

Além disso, novas versões de velhos heróis, ou até mesmo versões futuras de heróis antigos, eram constantes nas páginas das revistas. Já passaram por lá o A-Next, o Fantastic Five, Speedball, Nova, Punhos de Ferro e, de forma um pouco mais constante, Lady Hawk (uma dupla de gêmeas que parece estar de alguma forma ainda não clara ligadas ao Falcão) e Darkdevil (uma nova versão do Demolidor, que na realidade parece ser Ben Reilly, o supostamente morto clone de Peter). 


Photobucket


Ao contrário de Peter, embora seja inteligente, May não tem nada de nerd, jogando até mesmo em um time de basquete, ao mesmo tempo em que não tem aquela paixão de Mary Jane pela moda. Ainda diferentemente de Peter, o que move a vontade de May de ser uma heroína não é o peso de uma tragédia pessoal, mas a possibilidade de evitar tragédias. 

Verdade seja dita: com exceção de Kaine e do Rei do Crime, a maioria dos vilões da Spider-Girl eram muito fracos. Porém, isso não enfraquece em nada o charme das histórias, que está muito mais no relacionamento de May com seus amigos e seus pais (inclusive nos conflitos com Peter, que inicialmente não aceitava a vida “heroística” da filha) e nas dúvidas de May como heroína iniciante. Às vezes, por exemplo, é muito engraçado ver as atitudes de um típico, preocupado, e porque não dizer, ciumento pai no nosso amigo da vizinhança, Peter. Ou então, não deixar de se envolver nos problemas amorosos de May, ou de se identificar com as suas inseguranças. 

A série também teve destaque por lidar com alguns temas importantes (e até mesmo "polêmicos") do universo adolescente, como a paixão por um cara mais velho ou mesmo relacionamentos abusivos, em que garotas são vítimas de espancamentos por parte de seus namorados. 

A Abril Jovem chegou a publicar algumas histórias da Spider-Girl com o nome de Garota-Aranha, sendo que a Spider-Girl # 0 saiu na Homem-Aranha #198, enquanto algumas outras saíram nas últimas edições da Teia do Aranha. Depois que as revistas passaram para o formato americano, na linha Premium (não se sabe o porquê), a Abril parou de publicá-la, preferindo colocar as histórias da nova Mulher-Aranha no lugar. O que é uma pena, pois a Spider-Girl é uma personagem carismática interessante e cativante, com histórias realmente boas, que, infelizmente, não é tão conhecida.

Depois de indas e vindas, Spider Girl foi cancelada, mas se al
çou ao status de cult, deixando saudades nos corações de seus admiradores.

Dica de SiteSpider Girl Covers - todas as capas das HQs estreladas por May "MayDay" Parker.

sábado, 3 de setembro de 2016

A Queda do Jedi

Arte: Renata Castellani - http://bit.ly/2cd1qnz


Ou quando seu sonho é melhor que o roteiro do George Lucas


Ontem eu tive um sonho com o prequel de Star Wars.

Como muitas pessoas, eu detestei os episódios I,II e III... e acho que meu subconsciente quis me dar uma versão mais digna – pelo menos para mim – do que levou Anakin Skywalker a virar Darth Vader.

No meu sonho, os jedis podiam ser casar (o que faz muito sentido se a gente considerar a  merda dos midchlorians. Pra que celibato? Era só os jedis casarem, terem uma perrada de filhos para aumentar a Ordem).

Padmé era senadora, mas nunca foi rainha de Naboo. Era irmã caçula de Miranda, esposa de Bail Organa. Ela e Anakin (que não era o Hayden Christensen, mas não era nenhum ator que conheça) eram casados.
As guerras clônicas estavam acontecendo e se arrastando fazia alguns anos. E a Ordem dos Jedi designou Anakin para uma missão de infiltração que duraria de 2 a 3 anos em um ponto distante da Galáxia.

Ele não queria deixar a esposa e os filhos que estavam prestes a nascer . Mas Obi Wan e Yoda convenceram Anakin da importância da missão.

Miranda também estava grávida na mesma época que Padmé, mas acabou perdendo o bebê pouco depois que Anakin partiu.

Nesse meio tempo, com os meninos um pouco maiores, Padmé adoeceu seriamente.  Ela e Leia foram para Alderaan ficar com Bail e Miranda. Luke foi para Tatooine ficar com Owen (que realmente era irmão de Anakin) e Beru.

Padmé não resistiu à doença e acabou falecendo.  Enquanto isso, Tatooine foi atacada e aparentemente Owen, Beru e Luke haviam morrido, mas tinham conseguido escapar para um abrigo subterrâneo.

Numa dessas confusões de comunicação a lá Romeu e Julieta, Anakin recebeu a notícia de que tanto Padmé quanto os dois filhos haviam morrido. (Por isso ele achava que Leia era sobrinha dele, filha da Miranda e do Bail)

Ele surtou completamente, largou a missão, se culpando por não estar ao lado da esposa e dos filhos quando eles mais precisaram, sentindo-se traído pelos Jedis.

Tudo que ele queria era Vingança. Contra os Jedis, pois tudo o que era mais importante na vida de Anakin foi tirado por cumprir cegamente as ordens deles.

O sonhou terminou com Anakin voltando para casa, prestes a ferrar com tudo.

Se um dia eu tiver ânimo, quem sabe escrevo uma versão extendida?

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Mitologia em Sailor Moon

Site da imagem: http://bit.ly/2cwvUnX

Muitos anos atrás (e bota muitos anos nisso), lá nos "finalmentes" dos anos 90, quando a Manchete ainda existia e trazia muitos animes para a TV aberta, eu fiz parte de um fanzine sobre Sailor Moon. Daqueles de mandar o dinheiro pelo correio e receber o fanzine em casa.

Minha coluna era um paralelo sobre Mitologia e a história das Sailors.

Como recordar é viver, resolvi repostar meus textos aqui.

Para quem quiser conferir o texto, pode ser abaixo ou clicar nos links abaixo:

http://issuu.com/anacarolinacunha/docs/sailors?e=9833767/38469411

https://www.dropbox.com/s/vdaq3zxe1w0k5jr/sailors.pdf?dl=0

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Participação no Mullhere-se (Rede Minas) e Repóter PUC





Eu e a Rebeca Prado falamos sobre a participação das Mulheres nos Quadrinhos para o Reporter PUC. Participaram também do programa a quadrinista Laura Athayde, Samanta Coan, do Lady's Comics, e Afonso Andrade, curador do FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos.

Segue o vídeo do programa abaixo:




Também participei do programa Mulhere-se da Rede Minas, falando da Mulher Maravilha, ao lado da pesquisadora Dani Marino.