quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Caminho da Roça (Saino a Percurá - atualizado 26/05/17)



Marcelo Lelis, mais conhecido simplesmente como Lelis, é provavelmente um dos artistas mais expressivos, completos e talentosos do cenário nacional.

Lelis já foi ilustrador do jornal Estado de Minas e da Folha de São Paulo, já tendo participado de vários Salões de Humor e de quadrinhos pelo Brasil, ganhando também vários prêmios. A segunda história de Saino a Percurá, "Neo Liberal", apareceu primeiramente na 3ª Bienal de Quadrinhos, em 1997, na qual foi premiada.

Ele também participou de uma das histórias do especial Mauricio de Souza 50 anos, protagonizada pelo Chico Bento.

A Editora Casa 21 publicou sua série de ilustrações sobre Ouro Preto, Congonhas, São João del Rei, Tiradentes e Diamantina em 2005.

Vencedor do Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio literário do Brasil, ilustrou os livros “Aquilo que Não se Vê”, com texto de Clovis Levi, e Hortência das Tranças, com textos e ilustrações de Lelis, ambos publicados  Editora Abacate

Seu talento é reconhecido não apenas no Brasil, mas também internacionalmente. Em 2002 foi convidado para participar do Festival de Angoulême, um dos mais importantes festivais de quadrinhos do Mundo, na exposição Traits Contemporains!

Em 2009, publicou também no mercado exterior dois trabalhos: o álbum Dernières cartouches (Últimos cartuchos), pela editora francesa Casterman, com roteiro de Antoine Ozanam, uma história ambientada na Guerra Civil Americana e uma história na antologia sérvia Stripolis. Em 2011 também participou de uma coletânea canadense: The Anthology Project (Lucidity Press, 2011).

Em 2013, Marcelo Lelis ganhou exposição em sua homenagem no 8º FIQ, e, em 2016, foi um dos convidados da CCXP, participando do Artist’s Alley, no qual levou a coletânea de uma série de ilustrações que trazem super-heróis americanos, como Mulher Maravilha, Flash, Superman, em cenários das cidades históricas de Minas Gerais.

Um dos seus trabalhos mais marcantes (e um dos meus favoritos) é o álbum Saino a Percurá, publicado originalmente em 2001 através da Lei de Incentivo à Cultura.

Com traços pouco convencionais, uma linguagem próxima da linguagem do povo e texto ritmado mesmo quando não há rimas, Saino a Percurá lembra muito as obras de literatura de cordel, especialmente a primeira história (que dá título ao álbum). Aliado a tudo isso, ainda temos nas histórias um fundo de crítica social deliciosamente sutil e ao mesmo tempo cáustica. Com todos esses elementos reunidos, não há como negar que estamos diante de uma obra-prima.

A história título é de um absurdo incrível: conta a fábula de um desafortunado filho de um pato e uma galinha (?!), cujo possível destino certo seria a panela. Entretanto, contrariando essa premissa, ele acaba por surpreender a todos que o conheciam. A segunda história, a já citada "Neo Liberal", poderia também se chamar uma tragédia sertaneja ou "saindo do fogo para cair na frigideira", mostrando, de forma curta porém crítica, a ironia do destino de muitas mulheres do interior, cujas escolhas na vida (ou as escolhas que a vida faz para elas) acabam sempre por levar a um desfecho amargo.

Já a terceira história, "Mudernidades", é uma crítica sagaz à televisão, ou melhor: ao processo de zumbificação promovido pela TV, especialmente nos membros das camadas mais carentes da sociedade, que volta e meia vivem suas vidas mais pelo que acontece com os personagens de uma novela ou de um programa que por aquilo que ocorre em suas próprias vidas.

Saino a Percurá é um trabalho único e especial, caracterizando a vida no interior de forma genuína e sincera, embora carregada de crítica, mostrando-se uma obra verdadeiramente brasileira.

O álbum foi relançado pela editora Zarabatana e traz mais dez outras histórias: algumas inéditas, outras publicadas em coletâneas independentes nacionais (Ragu e Graffiti 76% Quadrinhos), estrangeiras (a citada The Anthology Project), e duas que foram vencedoras do Salão Internacional de Humor de Piracicaba (edições de 1997 e 1998).


Lugares para encontrar o trabalho do Lelis:
https://www.instagram.com/aqualelis/
https://www.facebook.com/lelis.67/
http://aqualelis.blogspot.com.br/
Sexta, 2 de junho DE 2017 às 19:00 - 21:00
Sesc Palladium
Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro |ENTRADA GRATUITA

2 comentários:

  1. Katchy!!!!

    Qunto tempo!

    Eu não fazia idéia da existência dessa 'obra prima', sabe aonde eu posso baixar (se eu realmente gostar eu compro, eu sempre faço isso).

    E nossa, você entrevistou o zé do caixão!? mah god! Como ele é, ele é legal?

    Tell me evrything!

    Ah, e antes que eu me esqueça, come está a sua amiga que pediu doações para poder trabalhar no exterior, e tem o livro dela pra vender por aqui?

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  2. Mojojo, vou ficar te devendo onde tem para baixar. ^^

    Eu li uma versão que achei na biblioteca de onde eu trabalho.

    Sobre o Zé do Caixão, o seu Mojica é uma pessoa sensacional. Fiquei mais fã dele depois da entrevista!

    Não consegui ser profissional quando falei com ele, meu lado fangirl falou mais alto. :P Mas mesmo assim ele foi super-simpático.

    Sobre a minha prima, ela conseguiu as doações e uma editora independente de Nova York se interessou pelo trabalho dela.

    Ela me passando novidades, eu conto para vc.

    Abração

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